

http://www.ideiaseletras.com.br/default2.asp?pg=loja/detalhe&lnk=busca&det=6075
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ISBN 9788599600382
com Prefácio de José Maurício de Carvalho
[excerto]
Este livro de Silvio Firmo fala da religião, mas não é de uma religião específica que ele trata. Ele aborda a religião como obra humana edificada em torno do sublime, porque deseja nos lembrar que a vida dos homens não se esgota no âmbito da animalidade. É claro que a religião não é a única trilha de acesso ao sublime, nem a forma exclusiva de justificar a dignidade pessoal, mas ela é um instrumento para realizar ambos os objectivos.Há um aspecto muito interessante que o livro nos apresenta: é o homem quem dialoga com o sobrenatural. O livro reproduz o que se pensa e o que se pensou desse fenómeno ao longo da história do Ocidente. É o sujeito humano que emerge criador e agente da religião. A religião é examinada como facto cultural, produto da nossa acção transformadora do mundo, ainda que esse facto não invalide o reconhecimento da inspiração divina, verdade pessoal que o autor assume como sua. É esse esforço para falar do divino com os olhos do homem o que nos encanta no livro de Sílvio Firmo
Silvio Firmo(Nazareno, MG,1956
António José de Brito agradece a homenagem prestada e comenta algumas das intervenções da sessão da manhã presidida por Constança Marcondes César(Pontifícia Universidade Católica de Campinas/PUCAMP), Brasil
ENTIDADES PROMOTORAS
Universidade Católica Portuguesa – Porto
Faculdade de Letras - Universidade do Porto
Universidade de Santiago de Compostela
Instituto de Filosofia Luso-Brasileira
Câmara Municipal de Viana do Castelo
COMISSÃO CIENTÍFICA
Prof. Doutor Arnaldo de Pinho – Universidade Católica Portuguesa – Porto
Prof. Doutor José Esteves Pereira – Instituto de Filosofia Luso-Brasileira
Prof. Doutor António Braz Teixeira – Instituto de Filosofia Luso-Brasileira
Prof. Doutora Maria Celeste Natário – Universidade do Porto
Prof. Doutor Andrès Torres Queiruga - Universidade Santiago de Compostela
Manhã dia 19 de Maio
Universidade Católica Portuguesa – Porto
Sala dos Executivos (2.º piso)
9,30 – Sessão de Abertura do Colóquio, presidida pelo Senhor Prof. Doutor Joaquim de Azevedo, Presidente do Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa.
- «No III Colóquio sobre a Saudade em homenagem a Dalila Pereira da Costa» (2/5 minutos):
. Universidade Católica Portuguesa – Porto
Prof. Doutor Arnaldo de Pinho
. Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Prof. Doutora Maria Celeste Natário
. Universidade de Santiago de Compostela
Prof. Doutor Elias J. Torres Feijó
. Instituto de Filosofia Luso-Brasileira
Prof. Doutor José Esteves Pereira
10,00 – Conferência em sessão plenária (45 minutos):
Presidência: Prof. Doutor António Braz Teixeira
Secretário: Prof. Doutora Maria Celeste Natário
«Experiência Mística e Saudade em Dalila Pereira da Costa»
Prof. Doutor Paulo Alexandre Borges
Universidade de Lisboa
Debate
11,00 horas – Comunicações em sessão plenária (20 minutos):
. «Saudade e Metanóia. Os casos de Fr. Agostinho da Cruz e Dalila Pereira da Costa».
J. Pinharanda Gomes
Lisboa
. «Dalila Pereira da Costa e a Saudade do Paraíso».
Prof. Doutor António Cândido Franco
Universidade de Évora
. «A exemplaridade da obra da Dra. Dalila Pereira da Costa»
Dr. Joaquim Domingues
Braga
. «Dalila Pereira da Costa e a cultura portuguesa»
Dr. Miguel Real
Sintra
. Debate
12,45 horas – Almoço no Restaurante da UCP.
Tarde do dia 19 de Maio
Faculdade de Letras - Universidade do Porto
14,30 horas – Comunicações em sessão plenária (20 minutos):
. «Escrita e Pensamento em Dalila Pereira da Costa»
Prof. Doutora Teresa Noronha
Universidade Aberta – Porto
. «Em torno dos Dispersos de Dalila Pereira da Costa
Dr. Rui Lopo
Lisboa
. «Mensagens do Anjo da Aurora»
Dra. Romana Valente Pinho
Lisboa
. «A Nau e o Graal no contexto das leituras míticas da Expansão Portuguesa»
Dr. Ricardo Ventura
Lisboa
. Debate
16,30 horas – Comunicações em sessão plenária (20 minutos):
. «A mais poderosa ponte identitária: Portugal e a Saudade no nacionalismo galego»
Prof. Doutor Elias J. Torres Feijó
Universidade de Santiago de Compostela
. «Saudade e Abandono»
Prof. Doutor Diogo Alcoforado
Universidade do Porto
. «Da saudade negativa»
Prof. Doutor Manuel Cândido Pimentel
Universidade Católica Portuguesa - Lisboa
. «A Saudade: gramática e espaço-horizonte da intimidade»
Prof. Doutora Paula Cristina Pereira
Dra. Vera Rodrigues
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
. Debate
18,30 horas - Conferência em Sessão plenária (45 minutos):
Presidência: Prof. Doutor Andrès Torres Queiruga
Secretário: Prof. Doutora Paula Cristina Pereira
«Expressão e sentido da Saudade na poesia moçambicana contemporânea»
Prof. Doutor António Braz Teixeira
Universidade Lusófona – Lisboa
21,30 horas – Apresentação de Obras
Fundação Escultor José Rodrigues
Rua da Fábrica Social, s/n - Porto.
. «Princípio e Manifestação: Metafísica e Teologia da Origem em Teixeira de Pascoaes», do Prof. Doutor Paulo Alexandre Borges – Universidade de Lisboa.
Apresentação por Prof. Doutor António Cândido Franco – Universidade de Évora.
. N.º 1 da Revista «Nova Águia».
Apresentação por:
Dr. Miguel Real, escritor
Porto
Dr. Alfredo Ribeiro dos Santos
Dia 20 de Maio
Auditório da Biblioteca
Câmara Municipal de Viana do Castelo
10,30 horas – Abertura dos trabalhos.
Palavra do Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo
10,45 horas - Comunicações em sessão plenária (20 minutos):
. «A saudade (isolamento, sociabilidade) em Eduardo Pondal»
Prof. Doutor Luís Garcia Soto
Universidade de Santiago de Compostela
. «Síntese interpretativa e crítica do Saudosismo»
Prof. Doutor Luís de Araújo
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
. «A Arte e a Saudade»
Dr. Alberto Antunes de Abreu
Viana do Castelo
. «Aspectos políticos da Saudade em Pascoaes»
Prof. Doutor Humberto Busto
I. E. S. Caxeiras - Galiza
12,30 horas – Almoço, oferecido pela Câmara Municipal de Viana do Castelo.
14,30 horas – Comunicações em sessão plenária (20 minutos):
. «Entre José Marinho e Jesué Pinharanda Gomes – a respeito do conceito de saudade»
Prof. Doutor Renato Epifânio
Universidade de Lisboa
. «Saudade e aposofia em Teixeira de Pascoaes»
Dr. Bruno Béu de Carvalho
Lisboa
. «A saudade na poesia de Fernando Botto Semedo»
Dr. Duarte Drumond Braga
Lisboa
16,00 horas – Discurso de Encerramento do III Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade em homenagem a Dalila Pereira da Costa (30 minutos):
«Das saudades á saudade a través da saudade. A leición de Dalila Pereira da Costa e Maria Zambrano»
Prof. Doutor Andrès Torres Queiruga
Universidade de Santiago de Compostela
Secretariado do Colóquio
Centro de Estudos do Pensamento Português
Universidade Católica Portuguesa
Centro Regional do Porto
Rua Diogo Botelho, 1327
4169 – 005 PORTO
Tel. 22 – 6196265
E – Mail: arocha@porto.ucp.pt
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Inscrições
Até 14 de Maio de 2008
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Leonardo Prota, em Outubro de 2007, no Cabo da Roca
Encontros Nacionais de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira
1989-2001
Um breve balanço
Leonardo Prota
http://www.ensayistas.org/filosofos/brasil/prota/
A realização dos Encontros Nacionais de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira tem suas raízes no Curso de Especialização em Filosofia: História do Pensamento Brasileiro, criado na Universidade Estadual de Londrina, em 1981, sob a coordenação do Prof. Ricardo Vélez Rodríguez.
Ex-alunos desse Curso, tendo apreendido a discutir a realidade brasileira, ao saírem da Universidade, manifestaram o desejo de poder continuar a se reunirem, sentindo falta desse convívio. Esse fato deu origem à criação do CEFIL – Centro de Estudos Filosóficos de Londrina, em 1987.
A atividade contagiante promovida pelo CEFIL, que contou com a participação efetiva de Antonio Paim e Ricardo Vélez Rodríguez, possibilitou o 1º Encontro Nacional de Professores e Pesquisadores da Filosofia Brasileira.
Nesse 1º Encontro (set. 1989) foram abordados três tópicos: 1. O Estudo das Filosofias Nacionais; 2. A Filosofia Brasileira e seu diálogo com outras Filosofias Nacionais; 3. Pesquisa e Ensino da Filosofia Brasileira.
No Estudo das Filosofias Nacionais, Ricardo Vélez-Rodríguez, após elaborar uma fundamentação que serviria de orientação para os outros expositores, passou a conceituar a filosofia inglesa, identificando-a com a valorização do conceito de experiência. Antonio Paim abordou o tema da Filosofia Norte-americana, em que evidencia a fundamentação básica de um esforço deliberado para recuperar a tradição empirista inglesa com a promoção simultânea de algumas alterações substanciais tendo em vista integrar a experiência humana em sua totalidade; o pensamento de Dewey sintetiza os grandes debates para essa integração. José Carlos Rodrigues descreve O processo de constituição da Filosofia Alemã; Leonardo Prota identifica a Filosofia Italiana com a expressão de liberdade e independência no período do Risorgimetno e da formação da consciência nacional; Ítalo Costa Jóia evidencia, na Filosofia Portuguesa, A preocupação com a idéia de Deus e o problema do mal; Aquiles Côrtes Guimarães abre a discussão sobre a Filosofia Francesa.
No segundo tópico, O Diálogo da Filosofia Brasileira com outras Filosofias Nacionais, Antonio Paim explicita a distinção entre perspectiva, sistema e problema na estrutura do saber filosófico, salientando que a idéia de vincular a filosofia nacional a determinados problemas tem se revelado muito fecunda.
O 2º Encontro (set. 1991), de um lado apresenta um aprofundamento dos temas abordados no Primeiro, sobretudo no referente a Ensino e Pesquisa da Filosofia Brasileira e Filosofias Nacionais, por outro lado introduz um tema novo: O Problema do Homem na Contemporânea Filosofia Brasileira.
Essa escolha foi muito acertada: tratava-se de verificar a hipótese, levantada por Antonio Paim, de que a recente publicação O Fenômeno Totalitário de Roque Spencer Maciel de Barros, indicasse a totalidade como uma dimensão constitutiva do homem. O livro de Roque Spencer, objeto de estudo em Curso oferecido pelo CEFIL, em Londrina, continuou sendo debatido nesse Encontro, contando com a valiosa colaboração de Antonio Paim, Antonio Frederico Zancanaro, Tiago Adão Lara, Gilda Maciel de Barros, Joaquim de Moraes Neto, José Mauricio de Carvalho, e com a participação do próprio autor, Roque Spencer Maciel de Barros.
Essa iniciativa, além de ter trazido elementos valiosos para a clarificação da hipótese mencionada, levou-nos a adotar como praxe debater a obra de um filosofo contemporâneo que, de alguma forma, estivesse associada ao tema de nosso interesse, isto é, às filosofias nacionais, de um modo geral, e à filosofia brasileiras, em especial.
No 3º Encontro (set. 1993), foi objeto de análise e debate a obra do filosofo português Eduardo Abrandes de Soveral. Após uma apresentação do conjunto da obra do pensador português por Antonio Paim, foram abordados os seguintes aspectos: A metafísica em Eduardo Soveral; O absoluto como fundamento da Moral alicerçada na Religião, por Tiago Adão Lara; A epistemologia em Eduardo Soveral: relações entre natureza e verdade e a carência de estatuto ontológico para a ciência, por Ricardo Vélez-Rodríguez e Mariluza Ferreira de Andrade e Silva; A Filosofia da História e da Cultura em Eduardo Soveral e suas conseqüências no terreno antropológico, por Lourenço Zancanaro e Maria Christina de Oliveira Espínola; O estatuto ético-jurídico da sociedade: a proposta de Democracia Cristã em Eduardo Soveral, por Antonio Frederico Zancanaro.
Os debates, muito animados, contaram sempre com a palavra esclarecedora do Prof. Soveral e deram um exemplo vivo de como as filosofias nacionais, no caso, a filosofia portuguesa contemporânea, contribuem de forma criativa para o patrimônio comum representado pela filosofia universal.
O 4º Encontro (set. 1995) foi dedicado à analise da obra de Antonio Paim. A exposição inicial ficou a cargo de Eduardo Abranches de Soveral, Filosofia Culturalista da Historia em Antonio Paim.
Cultura e Culturalismo é a reflexão que nos propõe Adolpho CRIPPA, que traça um paralelo entre o conceito de cultura como condição indispensável à compreensão do homem e de todos os valores criados e criáveis pela liberdade e a proposta culturalista, apresentada e sistematizada por Antonio Paim em seu novo lançamento, Problemática do Culturalismo.
Sempre no âmbito do conceito de Cultura, Rosa Mendonça de Brito retoma a obra de Antonio Paim, Problemática do Culturalismo, e expõe as idéias do autor indicando origens e fundamentos desse conceito.
Aquiles Cortes Guimarães, em A inspiração kantiana na obra de Antonio Paim, partindo do pressuposto de que Filosofia é dialogo com a cultura, opina que, talvez, essa afirmação seja a mais adequada para caracterizar a atividade filosófica do eminente pensador brasileiro, sobretudo no campo da história das idéias, que constitui o eixo das suas realizações, com a obra mais notável até hoje produzida entre nós. Por esse motivo, Côrtes Guimarães atem-se à analise do culturalismo por Paim ardentemente defendido, posto que de origem kantiana. Nesse contexto, Côrtes Guimarães, retomando a obra citada, Problemática do Culturalismo”oe , define-a como o “Discurso do Método para bem compreender o Culturalismo”.
Ricardo Vélez Rodriguez, debatendo o tema tratado por Aquiles Cortes Guimarães, fixa-se em quatro pontos que considera marcantes: atitude crítica e tolerância; atitude critica e metodologia para o estudo da história das idéias filosóficas; atitude crítica e moral; atitude crítica e educação.
Roque Spencer Maciel de BARROS, na trilha da história das idéias, fixa o contexto em que Paim se afastou do marxismo para ir se aproximando do liberalismo, frisando que “se o presente está grávido do futuro, ele está igualmente encharcado do passado e tanto a continuidade quanto as rupturas exigem o seu exame, para negá-lo, para superá-lo ou reafirmá-lo”. Dessa maneira, salienta BARROS, Paim começou a construir o vasto painel que é a sua obra de historiador de nossas idéias e instituições, com o propósito não só de esclarecer o passado, mas também o presente, e sondar, influindo, à medida que isso é possível no futuro. Esse futuro desejável, que orienta o interesse da investigação sobre o passado – continua Barros - Paim o vê como liberal e democrático, liberalismo e democracia fundados num ideal de formação humanística. Nesse contexto, Barros analisa o conceito de liberalismo em Antonio Paim.
No âmbito do liberalismo salientamos a comunicação de Antonio Frederico ZANCANARO, Antonio Paim: O intelectual e o homem liberal: enquanto que, no mesmo contexto, a problemática educacional é abordada por Rosilene de OLIVEIRA PEREIRA, em O liberalismo e a problemática educacional.
Em fato de educação, Antonio Paim manifesta claramente o seu pensamento a respeito do Ensino Fundamental e da formação profissional, atribuindo ao primeiro a função específica de terminalidade como educação para a cidadania e deixando a função da formação profissional como própria do 2°. grau. Mas, pode-se dizer que em toda a obra de Antonio Paim aflora a questão da Universidade. Leonardo PROTA aborda esse assunto, salientando que duas palavras marcam toda a trajetória do pensamento de Paim a esse respeito, profissionalização e democratização. Na trilha desse binômio, Paim enfatiza a missão da Universidade como formação geral, deixando aos Institutos a incumbência da formação profissional.
O 5º Encontro (set. 1997), em seu primeiro dia, foi dedicado ao tema: Contribuição e Significado da oba de Urbano Zilles. Entre as inúmeras abordagens destacamos o tema desenvolvido por Antonio Paim, “A Filosofia Católica entendida como perspectiva filosófica na obra de Urbano Zilles” e a análise feita por José Mauricio de Carvalho, “A questão da pessoa humana na obra de Urbano Zilles”.
Coroamento de Encontro foi uma Mesa Redonda, coordenada por Antonio Braz Teixeira, sobre o tema “A Filosofia portuguesa contemporânea”. Participaram do debate os seguintes pensadores portugueses: Joaquim Domingues, Pedro Calafate, José Esteves Pereira, Manuel Candido Pimentel, Leonel Ribeiro dos Santos, Eduardo Abranches de Soveral e Norberto Cunha.
O estudo da obra do Embaixador Meira Penna ocupou o 1º dia de debates do 6ºEncontro (set. 1999); sumamente ilustrativa foi a participação do próprio autor, que encerrou esse primeiro dia com uma avaliação criteriosa suscitada pelos debates.
A temática de Ensino e Pesquisa da Filosofia Brasileira teve um enfoque mais prático com a reflexão proposta por José Mauricio de Carvalho, “A questão do material didático para o ensino da filosofia Brasileira.
O estudo das Filosofias nacionais tornou-se uma constante em nossos Encontros; neste, depois de onze anos de estudos, reflexões e debates, fizemos um breve balanço: afinal, por que tanta desconfiança com esse tipo de investigação filosófica? Possivelmente, a explicação esteja no entendimento equivocado a respeito do conceito de Filosofia Universal. O problema não pode ser colocado em termos de oposição e exclusão, Filosofia Universal versus Filosofias Nacionais; mas em termos de constituição: são as Filosofias Nacionais (reflexões e investigações suscitadas por problemas filosóficos que marcaram as distintas tradições nacionais) que constituem e formam a Filosofia Universal, assim como anteriormente eram os sistemas que constituíam o pensamento universal.
O 7º Encontro (set. 2001) abre espaço para analise do pensamento filosófico de Braz Teixeira, com a reflexão proposta por Antonio Paim, A trajetória filosófica de Antonio Braz Teixeira, em que resgata o itinerário do grande mestre lusitano no que tange à metafísica, à ética e à religião, mostrando como tais concepções estão inbricadas na filosofia portuguesa, da qual Braz Teixeira é um dos veneráveis expoentes.
Na seqüência, Ricardo Vélez Rodriguez, em Antonio Braz Teixeira e o movimento da Filosofia Portuguesa, analisa o conceito de filosofia desenvolvido pelo eminente pensador português, mostrando que essa não é mero discurso abstrato, ao contrário, tem profunda relação com o homem concreto e situado histórico- geograficamente. Isso abre espaço para o debate acerca das filosofias nacionais, posto que as filósofos estão inseridos e desenvolvem seu pensamento a partir de um contexto nacional. A compreensão de Braz Teixeira da chamada filosofia luso-brasileira é objeto de análise de José Maurício de Carvalho; A teologia e a idéia de Deus na obra de Braz Teixeira é enfatizada por Tiago Adão Lara; Aquiles Cortes Guimarães reflete sobre o pensamento jusfilosófico de Antonio Braz Teixeira; sempre na área do direito, José de Deus Luongo da Silveira e Selvino Antonio Malfatti percorrem as principais escolas, resgatando a interpretação de Braz Teixeira sobre as mesmas, concluindo pela discussão da relação entre o direito e poder. Braz Teixeira, filosofo do direito, é o titulo escolhido por Eduardo Abranches de Soveral em suas considerações em que evidencia a metodologia usada pelo pensador português e sua insistência em tratar do fundamento axiológico do Direito. Ubiratan Borges de Macedo focaliza o conceito de justiça em A concepção existencial de justiça em Braz Teixeira, e Mariluze Ferreira de Andrade e Silva, por sua vez, apresenta um novo ângulo do debate em A filosofia da literatura na obra de Braz Teixeira.
Quanto à temática de Filosofias Nacionais, o debate é retomado a partir da publicação recente As filosofias nacionais e a questão da universalidade da Filosofia, por parte de Leonardo Prota.
Nesse livro, o autor trata do processo de formação das prinicpais filosofias nacionais partindo da constatação de que tal processo originou-se como procura de alternativa à Escolástica diante dos problemas suscitados pela ciência moderna.
Longo seis anos transcorreram após esse 7º Encontro. O que permanece, hoje, como visão de conjunto, de idéias e realizações, é um estreito relacionamento entre os participantes, com a respectiva divisão de tarefas, e uma imensa saudade.
INSTITUTO DE FILOSOFIA LUSO BRASILEIRA
ABRIL
(A partir das 15,00h)
DIA 8 – Caminhos da Filosofia Portuguesa no Séc. XIX (A. Braz Teixeira)
DIA 15 – A herança setecentista (Pedro Calafate)
DIA 22 – Sensismo e utilitarismo: I – Joaquim José Rodrigues de Brito (J. Esteves Pereira)
Dia 29 - Sensismo e utilitarismo: II – Silvestre Pinheiro Ferreira(Rodrigo Cunha)
MAIO
(A partir das 15,00h)
DIA 6 - Sensismo e utilitarismo: III – José Agostinho de Macedo (Ivone Ornellas)
DIA 13 – A reacção espiritualista: I – Vicente Ferrer Neto Paiva e o Krausismo ( A. Braz Teixeira)
DIA 20 – A reacção espiritualista: II – Joaquim Maria Rodrigues de Brito ( A. Braz Teixeira)
DIA 27 – A reacção espiritualista: III – Joaquim Maria da Silva (A. Braz Teixeira)
JUNHO
(A partir das 15,00h)
DIA 3 – A reacção espiritualista: IV – Amorim Viana (Manuel Cândido Pimentel)
DIA 17 – A reacção espiritualista: V – Cunha Seixas (J. Esteves Pereira)
DIA 24 – A reacção espiritualista: VI – Antero de Quental (Maria de Lourdes Sirgado Ganho)
CONTACTOS: Sociedade Histórica da Independência de Portugal
Palácio da Independência - Largo de São Domingos, 11 - 1150-320 – Lisboa
Telefone: 213241470 * Fax: 213420411 * Email: ship.geral@ship.pt
Capa do Número 7 da Revista
Administração: Rua do Areal de Cima, 91 4710-346 Braga
Depoimento
Joaquim Domingues
O aparecimento da revista Teoremas de Filosofia resultou de algumas conversas entre amigos, que entendiam ser necessário encontrar forma de dar livre expressão pública ao pensamento que os unia. Ora, se não faltam aí revistas de filosofia, o certo é estarem de qualquer modo ligadas a instituições que, com assegurar-lhes a regularidade, condicionam, ainda que indirectamente, a sua orientação. Como é sabido, as regras mais decisivas não chegam a ser enunciadas, pois vigoram por mútuo consenso, mormente em meios fortemente hierarquizados, como são por exemplo os académicos.
Esses amigos – que como tais se reconhecem pelo comum amor da verdade, segundo a ética aristotélica e não por mera cordialidade – é que viabilizaram a iniciativa de quem resolveu assumir os encargos administrativos, digamos assim. Como seria de esperar, a revista não obteve qualquer apoio oficial, antes teve de enfrentar as crescentes limitações legais à livre actividade editorial. Ainda assim, manteve publicação regular ao longo de seis anos e doze números, reunindo a ampla e diversificada colaboração que ficou registada no índice geral do derradeiro fascículo.
Uma das intenções prioritárias, expressa logo no primeiro número, foi a de estabelecer a transição entre gerações, designadamente a dos discípulos directos de Álvaro Ribeiro e José Marinho e as que entretanto se têm revelado. Outra foi a de favorecer a ligação entre pessoas que, porventura animadas por um mesmo espírito, se mantinham distantes ou nem sequer se conheciam. A lista dos colaboradores é elucidativa quanto ao primeiro aspecto, sendo certo que nas páginas dos Teoremas de Filosofia se revelaram ou pelo menos se afirmaram alguns nomes de que muito há a esperar; quanto ao segundo, foi talvez um dos que melhor compensou o esforço dispendido.
Encarada como mais um elo apenas na cadeia de publicações periódicas cuja referência primeira continua a ser A Águia e onde se destacam títulos como os do jornal 57 e da revista Espiral, a suspensão dos Teoremas de Filosofia nada teve de dramático. Bem pelo contrário, pois não só importa adaptar as publicações às novas circunstâncias, em constante mudança, como em especial ao perfil dos novos protagonistas que assomam no âmbito, cada vez mais alargado, da filosofia portuguesa. Tão certo estou de que não faltarão atrevimentos análogos e de maior fôlego até para dar expressão actual, livre e criadora à tradição que recebemos com a língua em que pensamos e nos entendemos.
É certo que sem regras, normas ou leis não há verdadeira liberdade, pois até quem contra elas se rebela o faz em nome de outras melhores, mais justas ou superiores. Por isso, o facto de a revista ter vivido à margem das instituições oficiais o entendo como um acidente resultante da dificuldade experimentada por muitos portugueses de se reconhecerem nelas e de serem por elas reconhecidos. Tempo virá em que esse divórcio será ultrapassado e creio mesmo haver sinais de caminharmos para o fim do ciclo em que estes «cadernos de filosofia portuguesa» surgiram como afirmação marginal de quem acredita na realidade espiritual da Pátria.--------------------------------